segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Baixista do Barão Vermelho é músico multitarefa

Rodrigo Santos já fez de tudo um pouco no mundo pop: além do baixo da banda carioca, tocou com ícones do BRock, gravou Beatles e Dylan, pôs Ney Matogrosso e Detonautas para cantarem juntos

Thaís Pacheco - Estado de Minas Conhece Rodrigo Santos? O baixista do Barão Vermelho participou de 17 bandas – entre elas, João Penca & Seus Miquinhos Amestrados, Kid Abelha e Blitz –, além de acompanhar Leo Jaime, Lobão e Moska. Gravou 35 discos e quatro DVDs. Ainda toca com o Barão e é produtor e músico dos Britos, projeto que canta Beatles.

“Em 2006, ganhei das mãos do príncipe Andrew a medalha da ordem britânica, por serviços prestados ao Reino Unido por meio da música”, ele lembra. Em 2005, a banda gravou, na Inglaterra, o DVD Os Britos cantam Beatles. Como se tempo fosse artigo que sobra, Rodrigo ainda segue carreira solo. Longe de viver do passado glorioso, continua a criar, compor, produzir e a tocar.
Em 2007, lançou o primeiro trabalho solo, Um pouco mais de calma, pela gravadora Som Livre. “Falo as coisas que Moska, Lenine e Zélia Duncan falam. Ainda flerto com o Barão. Mas, em relação às letras, é uma coisa mais Nando Reis: primeira pessoa, termos existencialistas e filosóficos, experiências. Sou muito preocupado com o texto do repertório”, explica.
Em 2009, na mesma casa, Rodrigo estreou O diário do homem invisível, disco com referências mais “psicodélicas”, como Secos e Molhados e Novos Baianos. Nesses trabalhos, contou com participações de amigos: Ney Matogrosso, Zélia Duncan e Cidade Negra.
Este ano, Rodrigo muda o tom mais uma vez. No álbum Waiting on a friend, interpreta Bob Dylan, Caetano, Gil, U2, Neil Young e raridades de Paul McCartney e John Lennon.
Nessa mescla de novo e antigo, de andar para a frente com o que existiu antes, o artista acredita que a intenção do rock se perdeu justamente nas letras. “Nos anos 1980, tínhamos uma herança que refletimos na maneira de escrever: a ditadura militar, as influências do tropicalismo e até do Raul Seixas, dos Mutantes e de Tom Zé. As bandas que vieram depois não demonstram vontade nem necessidade disso. Elas tocam bem, têm visual e atitude, mas você já não encontra letristas como Renato Russo, Cazuza ou Lobão.”
NA KOMBI Isso não significa que ele considere a nova safra ruim. Rodrigo elogia alguns grupos atuais e trabalha com vários deles. “Não fico parado, gosto de mexer na panela”, brinca. Mexe e tempera a gosto. Além de fazer shows no meio da rua em cima de Kombis, de lotar casas e de topar participar de eventos fechados até em escolas de inglês, ele gosta de misturar gente.
Coloca Ney e Detonautas no mesmo palco, Vanguart e Cidade Negra no mesmo disco e assim por diante. Entre os novatos preferidos, cita as bandas Canastra, Filhos da Judith, Autoramas e a cantora Marília Bessy, produzida por ele.
Como não fica mesmo parado, Rodrigo Santos está nas redes sociais. É possível falar com ele no Orkut, Facebook, MySpace e Twitter. O músico conta que usa o Orkut também para conhecer as bandas covers do Barão Vermelho e até faz shows com algumas delas, quando gosta do trabalho. “Acho legal dar uma força para a rapaziada.”
Ele está aí. Dando força para a rapaziada, andando em boa companhia, circulando por todos os meios e idades, tocando de Beatles a Autoramas. Mais uma figura da música brasileira que, em vez de sentar, reclamar e morrer de saudade, sai por aí fazendo e acontecendo.

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